Na política, fala-se tanto pelas palavras quanto pelos sinais que se emitem. Em Teresina, o Partido Liberal passou a observar com atenção os movimentos do seu presidente municipal da sigla, Leonardo Eulálio (PL), recém-empossado na Câmara Municipal. Nos bastidores há indicativos de que o parlamentar tende a se alinhar à reeleição do governador Rafael Fonteles (PT), mesmo tendo o nome de Toni Rodrigues ao Governo do Estado. Eulálio assumiu o mandato após o vereador Luís André se licenciar para comandar a Secretaria Municipal de Articulação Institucional (SEMAI), na
Prefeitura de Teresina. Questionado pela imprensa sobre seus apoios eleitorais, foi categórico: Zé Santana (PT) para deputado federal e Henrique Pires (MDB) para deputado estadual. O argumento apresentado é o da “liberdade política”, sustentado por vínculos pessoais e pela defesa do que considera ser o melhor para o Estado e para a capital.
O discurso, contudo, não encontrou eco unânime dentro do próprio partido (Quem diria, né?). Nos bastidores, dirigentes e filiados do PL avaliam que as declarações ultrapassam o campo da autonomia individual e entram no terreno do desalinhamento político. Não se trata apenas de preferências pessoais, mas do peso simbólico de quem ocupa a presidência municipal da legenda em pleno ciclo eleitoral. Esta colunista conversou com integrantes da sigla, inclusive com nomes que recentemente optaram por deixar o partido. O diagnóstico é convergente: causa estranhamento que o presidente do PL em Teresina não concentre esforços na consolidação do projeto partidário, especialmente quando a legenda possui candidaturas próprias em disputa - Toni Rodrigues ao Governo do Estado e Tiago Junqueira ao Senado - além da tentativa de estruturar uma chapa proporcional competitiva. Há, inclusive, quem vá além da crítica informal.
Entre interlocutores ouvidos, já se discute, de maneira reservada, a necessidade de uma redefinição da condução partidária na capital, seja por meio de uma cobrança formal, seja pela avaliaçãode mudanças no comando local. O incômodo não é ideológico apenas, mas estratégico: um partido que se organiza para a disputa nacional dificilmente pode prescindir de coerência mínima em seus palanques regionais.
Leonardo Eulálio não nega o diálogo amplo, nem a convivência com campos políticos distintos. O problema, apontam seus correligionários, não está na conversa, mas na escolha pública. Na política, gestos também votam. E, neste momento, os sinais emitidos pela presidência municipal do PL em Teresina parecem falar mais alto do que os discursos oficiais da legenda.
Fonte:GP1


