Joesley Batista foi a Caracas negociar energia com o regime venezuelano
O empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F — controlador da JBS e da Âmbar Energia — esteve recentemente em Caracas para tratar diretamente com o governo da Venezuela sobre fornecimento de energia elétrica ao Brasil. O encontro ocorreu com a presidente interina Delcy Rodríguez, braço-direito de Nicolás Maduro, segundo revelou o Estadão.
O foco da conversa foi a importação de energia venezuelana para Roraima, estado onde a Âmbar detém concessões e contratos estratégicos. Joesley pediu garantias políticas e comerciais para manter o fornecimento — um tema sensível, já que a energia vem de um país sob sanções internacionais, colapso institucional e histórico de instabilidade.
Desde fevereiro de 2025, o Brasil voltou a importar energia da usina de Guri, na Venezuela, para abastecer Boa Vista e municípios de Roraima. A decisão foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão presidido pelo ministro de Minas e Energia.
Na prática, a energia venezuelana substituiu parte da geração das termelétricas, reduzindo custos — mas criando uma dependência política e estratégica de um regime autoritário.
A operação foi interrompida em setembro de 2025, quando entrou em operação o linhão de 500 kV que conectou Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Mesmo assim, a importação pode ser retomada a qualquer momento, o que explica o movimento de Joesley em Caracas.
A Âmbar Energia, empresa do grupo J&F, é uma das principais operadoras habilitadas pelo governo brasileiro para importar energia da Venezuela. Ao lado dela, também receberam autorização empresas como BTG Pactual e Grupo Bolt — mas a Âmbar é a que possui maior estrutura e contratos na região.
Na prática, o grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista controla parte significativa da infraestrutura de fornecimento de energia de Roraima, um estado historicamente vulnerável a apagões e crises energéticas.
A importação da Venezuela passou a ser um negócio bilionário, intermediado por empresas privadas, mas dependente de decisões políticas do governo brasileiro e da boa vontade do regime de Maduro.
Segundo fontes ouvidas pelo Estadão, Joesley buscou garantias diretas do governo venezuelano sobre:
continuidade do fornecimento
estabilidade dos contratos
previsibilidade política
O tema “não se esgotou” na reunião, o que indica que novas rodadas de negociação estão previstas.
Ou seja: um dos empresários mais poderosos do Brasil foi negociar energia estratégica do país diretamente com uma ditadura estrangeira — fora dos canais diplomáticos tradicionais.
A presença de Joesley na Venezuela não é isolada. O grupo J&F também tem interesses no setor de petróleo, logística e agronegócio no país vizinho. A energia funciona como porta de entrada para uma reaproximação econômica com Caracas, em linha com a política externa do governo Lula.
O que está em jogo não é apenas o fornecimento para Roraima mas o reposicionamento do Brasil na órbita econômica venezuelana, usando grandes conglomerados privados como operadores.
Fonte:HoraBrasília